Wolfgang Ludwig Rau

Wolfgang Ludwig Rau, em foto do site www.clicrbs.com.br/diariocatarinense

Wolfgang Ludwig Rau, foto do site http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense

Morreu, aos 93 anos, no dia 07 de fevereiro, em Florianópolis, Wolfgang Ludwig Rau.

No meio de tantas informações e livros sobre Anita, passei despercebido pela notícia, que me chegou somente hoje. Com muito atraso, portanto, vou tentar aqui fazer uma pequena homenagem ao maior biógrafo de Anita Garibaldi.

Rau era Suíço de origem alemã. Chegou ao Brasil em 1930, aos 14 anos, fixando-se em Lages. Naturalizou-se brasileiro em 1940, durante a Segunda Guerra, e prestou o serviço militar em Curitiba em 41. Engenheiro, projetista e arquiteto, foi sócio de várias firmas de engenharia e arquitetura em Lages e Florianópolis, onde fixou residência.
Era maçon, membro de várias comunidades garibaldinas e de pesquisas, que, ao longo dos anos, foram reconhecendo seus estudos e lhe concedendo títulos e medalhas de méritos.

A princípio como interessado em conhecer (e retribuir) ao país que tão bem o acolheu, foi estudar a história de Anita Garibaldi. Mas aos poucos essa curiosidade histórica se transformou em uma grande paixão, dessas que se pudessem, transporiam a fronteira tempo-espaço. Sua fixação à Anita era tão grande que sua segunda esposa tinha as feições muito parecidas com as imagens mais conhecidas da heroína, e ele fazia questão de que ela se apresentasse vestida “de Anita” em eventos em que era convidado ou homenageado.

crédito: A Notícia, 08 de abril de 2001

crédito: A Notícia, 08 de abril de 2001

Em uma época em que os recursos e facilidades não existiam, fez, por conta e recursos próprios, dezenas de viagens aos sítios históricos de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Uruguai, Itália, refazendo o caminho de Anita e de Garibaldi, levantando documentos, objetos, depoimentos, tirando fotos e cópias de tudo o que pudesse, além de comprar objetos dos mais variados tipos. Este acervo garibaldino ficou durante décadas em um apartamento em Florianópolis. Generoso e desejoso de que Anita tivesse sua história e seu valor mais reconhecido, abriu as portas de seu acervo, construído de forma tão difícil e trabalhosa, para todos os que quisessem pesquisar ou escrever sobre a personagem. E assim, muitos autores, nacionais ou estrangeiros, beberam de suas fontes e construíram suas obras a partir do que ele conseguiu juntar.

Também escreveu, claro. Anita Garibaldi, O Perfil de Uma Heroína Brasileira, de 1975, é seu livro mais conhecido, até hoje sem republicação. Um catatau de quase 530 páginas, com algumas informações até então inéditas, fotos e ilustrações.

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Como arquiteto, Rau arriscava tracejar também mapas e ilustrações, muitos deles reproduzidos em livros de autores posteriores.

Em 2006 o acervo garibaldino de Rau foi comprado pelo Governo de Santa Catarina depois de um longo processo burocrático, e cedido à Laguna. Encontra-se hoje na casa Pinto Ulysséa, ao lado da fonte Carioca, no centro de Laguna.

Não se encontra dentro dos melhores estados de conservação, e nem com apresentação à altura. Fazem falta coisas óbvias, como material explicativo aos visitantes e funcionários minimamente informados sobre a históra de Anita e os objetos do acervo. Até mesmo a localização ao lado do complexo da fonte da Carioca, que ocupa uma área grande de mato e pé de morro, além de cisterna, atrás da bela casa Pinto Ulysséa, deve proporcionar uma umidade que não indica bom local para um acervo de livros raros e materiais tão perecíveis. Não é preciso muito trabalho para achar problemas sérios: quando visitei, entre dezenas de coisas, vi um brasão do Império Brasileiro em madeira, todo cheio de buracos com cupins trabalhando à todo vapor, fatalmente levando a pequena peça a caminho da ruína.

Tomada de parte do acervo na Casa Pinto Ulysséa

Tomada de parte do acervo na Casa Pinto Ulysséa

De qualquer forma, o acervo hoje é um bem público, acessível a visitação, localizado na cidade onde mais está presente a heroína para qual o pesquisador dedicou sua vida. Ele fez, e muitíssimo bem, a parte que achou que devia.

E sem a qual o meu modesto projeto não seria, de forma alguma possível.

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3 Respostas to “Wolfgang Ludwig Rau”

  1. antonio cesar Says:

    Sou lageano da Coxilha Rica, sou apaixonado pela historia da Anita, sou da familia Antunes de Bom Jardim – parentes da Anita – tenho o maior respeito por Rau e vergonha dos lageanos jamais terem homenageado Rau, nem se quer sabem quem foi

  2. Vladimir Alves Says:

    Sou catarinense radicado em Porto Alegre. Estou em visitando a Sicília e me deparo com a casa onde Garibaldi morreu. Um local belíssimo é bem conservado com pessoas preparadas para explicar a história deste herói. Lamentável que o governo do estado de SC não propicie o mesmo a nossa heroína Anita. Fica aqui meu respeito e agradecimento ao Dr Rau pelo trabalho realizado . Fui colega de escola do filho dele, Ludovico Rau… Mas há muito perdi contato.

  3. Alcioney Silveira Dos Santos Says:

    Conheci o Sr. Wolfgang na década de 1970. Pessoa muito simpática, capaz e agradável. Ficará para sempre em minha memória. Agora, como uma singela homenagem, pretendo te-lo como patrono da cadeira que ocuparei na Academia de Letras de Palhoça (ALP), cuja posse está prevista para o início de 2016.

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